Há momentos na vida política local que são verdadeiros estudos de caso — não sobre governação, mas sobre improvisação. Um desses momentos deu-se quando um vereador, cheio de convicção e indignação moral, decidiu perorar sobre contratos públicos. O problema? Não fazia a mais pequena ideia do que estava a dizer.
Entre o ato de adjudicação e o auto de receção da obra, perdeu-se algures o fio à meada — e a dignidade do debate. É que uma coisa é adjudicar, ou seja, decidir a quem se vai atribuir a obra; outra, muito diferente, é receber a obra concluída. Mas na cabeça do nosso estudioso improvisado, tudo parecia caber no mesmo saco de confusões administrativas, embrulhado em discursos sobre “transparência” e “rigor”.
É de aplaudir, de facto, a coragem de falar com tanta segurança sobre aquilo que manifestamente não se entende. O problema é que o país está cheio de especialistas em “parece que sei”, e curto de gente que estuda, lê e se prepara. O estudo, meus senhores, não é um adereço — é a base de qualquer participação séria na vida pública.
Ninguém nasce ensinado, é certo. Mas quem aceita um cargo com responsabilidades tem o dever de saber ao menos o abecedário daquilo que discute. Porque confundir o início com o fim de uma obra pública não é lapso: é ignorância com microfone.
E há uma regra simples que devia estar escrita à entrada de cada reunião de câmara: se não estavas preparado, não vinhas. Porque o poder local precisa de competência, não de improviso. A cidade merece mais do que discursos sonoros — merece decisões informadas. E, convenhamos, já chega de quem acha que adjudicar é o mesmo que receber a chave da obra.
Para os mais cépticos, o episódio está disponível no canal oficial da autarquia. A ironia é gratuita, o embaraço é municipal.
“Chega” desta bardamerda!
Fonte: https://vilafrancamente.blogspot.com/2025/11/se-nao-estavas-preparado-nao-vinhas.html