Há artigos que nos fazem parar e pensar. O recente texto do Dr. Miguel Lopes @pereiralopesmiguel, publicado no SOL, é exatamente isso: um desafio necessário ao debate público sobre o futuro do trabalho em Portugal. Não apenas porque questiona o Direito Laboral, mas porque nos obriga a olhar para aquilo que raramente se discute com coragem: o verdadeiro problema não está apenas na lei, está na forma como lideramos pessoas.
Podemos debater modelos de contrato, flexibilização, competitividade e modernização do mercado de trabalho, e devemos fazê-lo. Eu, pessoalmente, acredito que liberalizar o contrato de trabalho é essencial para criar mais liberdade, mais oportunidades e mais mobilidade social. Mas seria incompleto ignorar a questão central que o Dr. Miguel Lopes tão bem levanta: o bloqueio muitas vezes não está no código laboral, está na cultura de liderança empresarial que ainda domina o país.
Portugal tem excelentes profissionais, mas continua a sofrer com estruturas hierárquicas lentas, culturas internas que estrangulam talento e modelos de gestão que premiam antiguidade em vez de mérito. Há empresas que querem inovação, mas têm lideranças que ainda funcionam como se estivéssemos nos anos 90. Querem produtividade, mas recusam autonomia. Querem equipas fortes, mas não investem em motivação, formação ou responsabilização.
Uma visão verdadeiramente liberal para o trabalho começa aqui: menos tutelas, menos amarras, mais liberdade para trabalhar, criar, escolher e crescer, mas também mais exigência na qualidade da liderança.
Não basta mudar leis. É preciso mudar mentalidades. É preciso criar empresas onde o talento floresce, não onde se sobrevive.
E é precisamente por isso que vale a pena ler e partilhar o artigo do Dr. Miguel Lopes @pereiralopesmiguel , porque ele põe o dedo na ferida certa. A modernização económica não será possível sem modernização cultural. E essa transformação começa em cada empresa, em cada líder, e em cada pessoa que acredita num país mais livre, mais eficiente e mais preparado para o futuro.
Portugal tem tudo para ser um país de oportunidades. O que falta é coragem para libertar as pessoas: no contrato, na carreira e na liderança.