Ontem participei na minha primeira sessão extraordinária da Assembleia Municipal de Vila Franca de Xira. Entrei com um sentido de missão claro: representar quem quer uma política séria, transparente e racional. Saí com a certeza de que esta será uma batalha longa – mas necessária.
O plenário foi um mosaico de tudo o que ainda precisamos de transformar. Discursos bíblicos num Estado laico, moralismos sobre “quem merece escola” e uma capacidade impressionante de transformar direitos constitucionais em slogans populistas. Ali percebi que, por vezes, o maior adversário não é o argumento político – é a tentativa constante de empobrecer o debate público.
O melhor exemplo está descrito no artigo do Vila Francamente:
“Se não estão a trabalhar que tomem conta dos filhos”
(https://vilafrancamente.blogspot.com/2025/11/se-nao-estao-trabalhar-que-tomem-conta.html).
Uma frase destas revela prioridades que não servem Vila Franca, nem o país. Enquanto alguns insistem em punir famílias, eu defendo o óbvio: cada criança deve ter acesso à educação, ponto final. Não é um prémio para quem trabalha mais. É um direito constitucional e o maior motor de mobilidade social que existe.
Mas não ficamos por aqui. A noite trouxe mais momentos dignos de nota: uma etiqueta “1312” num computador, um símbolo historicamente ligado a movimentos anti-polícia. O paradoxal? Ser exibido por quem passa a vida a exigir “mais autoridade” e “mão pesada”. A incoerência política é, de facto, um espetáculo.
E foi nesse momento que me lembrei desta verdade brutal: Nietzsche teria delirado com o que se passou ontem.
Poucas coisas revelam tão brutalmente a natureza humana como a incoerência exibida com convicção – ali, em pleno plenário, a vontade de poder falou mais alto do que a razão.
Foi a minha primeira batalha na Assembleia Municipal.
E sim, foi isso mesmo: uma batalha.
Mas também foi o primeiro passo.
Vim para expor contradições, defender princípios liberais, proteger direitos e exigir uma gestão mais séria e eficiente para o concelho.
Vim para servir pessoas – não para servir slogans!
Vila Francamente… isto foi só o começo.